Pe Antonio Rivero, L.C. : “Se o teu irmão peca, não deixes de amá-lo: ajuda-o”


COMENTÁRIO À LITURGIA DOMINICAL

 

Ciclo A – Textos: Jr 33, 7-9; Rm 13, 8-10; Mt 18, 15-20

P. Antonio Rivero L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor no noviciado da Legiao de Cristo em Monterrey (México) e Assistente do apostolado Logos.

Ideia principal: A correção fraterna, não como fiscal ou espião, mas como irmão que ama, pois somente quem ama tem o direito de corrigir.

Resumo da mensagem: Hoje Deus nos convida à correção fraterna. Somos vigias e sentinelas (primeira leitura) que devemos avisar se se aproxima algum perigo para a nossa salvação e para a salvação dos nossos irmãos, pois Deus nos pedirá contas do nosso irmão. Cristo no discurso comunitário apresentado por Mateus nos dá as pautas para esta correção: primeiro em particular; depois com a ajuda de outro irmão como testemunha para o corrigido se dê conta de que a coisa é seria e importante; e se o corrigido não faz nenhum caso, deve-se dizer à comunidade eclesial para dizer-lhe que esse irmão não quer pertencer à comunidade. Esta correção fraterna tem que estar motivada pelo amor (segunda leitura), síntese de toda a lei, e com humildade.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a correção fraterna parece uma das constantes da pedagogia de Deus já no Antigo Testamento. Quantas vezes Moises teve que corrigir, em nome de Deus, esse povo de cabeça dura, e os mesmos profetas! Deus “bate” para aprendermos (cf. Jr 2, 30; 5,3; Ez 6, 9), ou para purificar-nos (cf. Is 1, 24), ou para expiar as nossas culpas (cf. Mi 7, 9). Feliz o homem que Deus corrige! (cf. Job 5, 17). Deus a quem ama, repreende (cf. Deut 8, 5; Prov 3, 11). O mesmo Deus pede para corrigir o próximo (cf. Lev 19, 17).

Em segundo lugar, Jesus exercitou a correção fraterna com os seus apóstolos, com os chefes religiosos e políticos do seu tempo, e com a turba. Jesus corrige os seus discípulos, os seus horizontes raquíticos, humanos, ambiciosos. Jesus corrige a hipocrisia dos chefes religiosos, e por querer manipular a Deus. Jesus corrige os excessos, as injustiças e os abusos e a corrupção dos chefes políticos e lhes diz que a autoridade é serviço e não domínio. Jesus corrige a inconstância da turba, os seus caprichos, os seus interesses egoístas; muitos seguem Jesus para arrancar Dele curas e pão, sem as devidas disposições de fé e confiança Nele. Jesus corrige porque ama e porque quer a salvação de todos.

Finalmente, também nós deveríamos colocar em prática esta correção fraterna. Amar o próximo não é sempre sinônimo de calar ou deixar que siga pelos maus caminhos, se em consciência estamos convencidos de que é este o caso. Amar o irmão não somente é acolhê-lo ou ajudá-lo na sua necessidade ou aguentar as suas faltas; também, às vezes, é saber dizer para ele uma palavra de admoestação e correção não para que fique pior em nenhum dos seus caminhos. O que corre o perigo de se extraviar, ou já se extraviou, não se pode deixar sozinho. Se o teu irmão peca, não deixes de amá-lo: ajuda-o. Correção fraterna, primeiro na nossa família, corrigindo o esposo ou a esposa, os filhos, os pontos objetivos que têm que superar. Depois, entre os nossos amigos, se nos consta que caminham por maus caminhos. Mais tarde, nos nossos trabalhos, se virmos que existe corrupção, malversação de fundos ou enganos. O bispo ou o pároco devem exercer a sua guia pastoral na diocese ou na paróquia, respectivamente. E logicamente também nos nossos grupos e comunidades eclesiais e paroquiais, para que não nos corroam a inveja, a murmuração e as ambições. “Quando alguém incorra em alguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão e cuida-te, porque tu também podes ser tentado” (Gal 6, 1).

Para refletir: Abramos hoje as sete cartas do anjo às sete igrejas do Apocalipse, nas que com os louvores e ânimos, misturam-se também palavras bem expressivas de correção e acusação da parte de Deus. Na regra de São Bento se diz: “O abade se preocupará com toda solicitude dos irmãos culpados, porque não necessitam de médico os sãos, mas os enfermos. Portanto, como um médico perspicaz, recorrerá a todos os meios; como quem aplica cataplasmas, isto é, enviando-lhe monges anciãos e prudentes, que como às escondidas consolem o irmão vacilante e o movam a uma humilde satisfação, animando-o para que a excessiva tristeza não seja motivo de naufrágio para ele, mas como diz também o apóstolo, que a caridade se intensifique e rezem todos por ele” (n. 27).

Para rezar: Senhor, corrige-me com carinho e ternura. Senhor, que saiba corrigir a meus irmãos com reta intenção e por amor. Senhor, dou permissão a meus irmãos para que me corrijam quanto em mim vejam distorcido e não acorde a teu Evangelho.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:

arivero@legionaries.org



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