Santa Sé: não a violências e a discriminações contra as mulheres


A chaga do tráfico de pessoas e a exploração sexual das mulheres e meninas são, como definiu o Papa Francisco, um “crime contra a humanidade” que deve ser denunciado e combatido por todos, disse Dom Bernardito Auza na Onu.

Cidade do Vaticano

“A Santa Sé condena toda forma de violência às mulheres, inclusive aqueles estereótipos que a justificam e que promovem discriminações contra elas.” Foi o que disse o observador permanente da Santa Sé na Onu, Dom Bernardito Auza, falando na terceira Comissão da 73ª sessão da Assembleia Geral da organização dedicada ao melhoramento da condição feminina no mundo.

Violências sofridas pelas mulheres ainda são muitas

Vítimas de abusos sexuais, do tráfico de seres humanos e das formas modernas de escravidão, de violências e intimidações quando desempenham atividades políticas, de maus-tratos entre as paredes domésticas e de discriminações, violências verbais e cyber-bulismo, mas também da cultura do descarte: as violências sofridas pelas mulheres no mundo ainda hoje são muitas, destacou.

Mulheres vítimas do tráfico e da escravidão moderna

Em seu pronunciamento, Dom Auza deteve-se em primeiro lugar sobre a chaga do tráfico de pessoas e a exploração sexual das mulheres e meninas, um “crime contra a humanidade”, como a definiu o Papa Francisco, “que deve ser denunciado e combatido por todos”.

Recordando as palavras dirigidas pelo Papa em fevereiro passado aos participantes do Dia mundial de oração e reflexão contra o tráfico, o representante vaticano reiterou que para contrastar este mal e seus responsáveis é indispensável a “conversão dos corações e a supressão da procura para enxugar o mercado”.

Violências domésticas: demasiada impunidade

Também as mulheres que desempenham atividades políticas dando uma preciosa contribuição para a sociedade podem ser expostas a violências e intimidações. É preciso fazer mais para protegê-las dessas ameaças, ressaltou o arcebispo filipino.

Ademais, há o drama das violências domésticas. Sobre essa questão, se por um lado existem sinais encorajadores como o aumento das campanhas para sensibilizar homens, jovens e líderes políticos, por outro em muitos países os autores destes maus-tratos continuam ficando impunes.

“As famílias são os agentes de união da sociedade e quando estas se tornam um lugar de violência os efeitos são catastróficos para todos: por isso é preciso agir promovendo uma cultura que repudie toda forma de violência”, ressaltou.

A violência fruto da cultura do descarte

Por fim, há a violência e a exclusão que derivam da cultura do “descartável” que descarta os anciãos, porque já não servem mais, como recordou o Papa Francisco no recente Encontro Mundial das Famílias em Dublin, na Irlanda.

“Uma sociedade sofre quando não inclui os anciãos, em particular as mulheres anciãs”, porque deles depende a transmissão da cultura, dos valores e da sabedoria para as gerações jovens, enfatizou ainda.

Concluindo, o observador permanente da Santa Sé fez votos de que se encontre um modo para reconhecer e auxiliar as muitas “mulheres desconhecidas que ajudam e transformam as famílias e as comunidades” e que “merecem a nossa gratidão”.



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